O vírus mais letal

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O coronavírus continua se espalhado pelo mundo. Embora, como já sabemos, a mortalidade direta em decorrência da infecção não seja tão alta, a sobrecarga do sistema de saúde causa grandes preocupações; por isso todo cuidado é pouco. É melhor “pecar” pelo excesso de cautela a baixar a guarda e sofrer as consequências. Então é só seguir o que as autoridades têm recomendado e pedir a Deus que esse flagelo anunciado passe logo. Depois virão outros e outros e outros, como bem sabemos. Temos que levar a vida conscientes de que, antes de melhorar definitivamente (com a volta de Jesus), a situação deste mundo apenas piorará. É sobre isso que quero falar nesta breve reflexão.

Dias atrás minha esposa e eu fomos levar nosso filhinho a um parque aqui na cidade, a fim de que pudéssemos brincar um pouco ao ar livre. Infelizmente, havia som alto no local e foi inevitável ouvir aquelas músicas que tornaram bem desagradável um momento que deveria ser alegre. Percebemos uma coisa: as músicas sertanejas românticas do passado deram lugar a letras que falam de traição, vingança, glamourização da solteirice promíscua, menção desrespeitosa a partes íntimas do corpo, e coisas do tipo. As pessoas estão tão acostumadas a esses conteúdos musicais que parecem nem mais se importar com a degradação.

Esse incidente me fez lembrar o ótimo livro Nossa Cultura ou o Que Restou Dela, do psiquiatra inglês Theodore Dalrymple (pseudônimo de Anthony Daniels), autor mais do que necessário para entender o tempo em que vivemos. No livro, ele fala sobre a imundície moral, espiritual e emocional que tomou o mundo e engendrou prazeres passageiros e sofrimentos prolongados. Nas páginas 281 e 282, lemos: “A revolução sexual provocou, acima de tudo, uma alteração na sensibilidade moral, na direção de um consistente embrutecimento dos sentimentos, pensamento e comportamento.”

Dalrymple não é um homem religioso, por isso suas análises e seus ótimos livros tratam os temas da perspectiva de um intelectual conservador e realista (que infelizmente só fui conhecer anos depois de meu tempo de universidade), sem o viés bíblico que o ajudaria a reconhecer a origem de toda essa desgraça.

Assim como o coronavírus se espalha rapidamente entre as pessoas, com consequências devastadoras para a vida em sociedade, para a economia e outras áreas, o vírus do pecado, quando começou a ser espalhado neste planeta há cerca de seis milênios, também causou e vem causando estragos na vida dos seres humanos e nos reinos animal e vegetal. Morte, dor e sofrimento mancharam o plano original do Criador. O remédio? Álcool 70%? Máscaras? Confinamento? Nada disso resolve, evidentemente. O único remédio para o vírus do pecado é o sangue de Cristo, derramado na cruz do Calvário por amor aos “infectados”. Unicamente esse sangue purifica a mente, o coração, o ser todo.

Estamos num mundo que afunda; que cava o fundo do poço cada vez mais. Precisamos estar aqui um pouco mais, mas não podemos ser daqui. Somos cidadãos da pátria celestial; embaixadores do reino de Deus. Assim como os profissionais de saúde têm se desdobrado e até se arriscado para ajudar as pessoas afetadas pela epidemia atual, temos que ajudar aqueles que sofrem sob o fardo do pecado. Temos que ser luz do mundo e sal da terra, como comparou nosso Mestre. Mas como viver no meio da sujeira sem nos sujarmos? Como viver em meio ao que sobrou da nossa cultura? Acatando as recomendações bíblicas do apóstolo Paulo, por exemplo. Cito três textos (extraídos da Nova Versão Transformadora):

“Concentrem-se em tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é correto, tudo o que é puro, tudo o que é amável e tudo o que é admirável. Pensem no que é excelente e digno de louvor” (Filipenses 4:8).

“Vistam toda a armadura de Deus, para que possam permanecer firmes contra as estratégias do diabo [e]resistir ao inimigo no tempo do mal” (Efésios 6:11, 13).

“Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês” (Romanos 12:2).

Assim como temos tomado precauções para minimizar os riscos de contágio pelo coronavírus e seguido conselhos de saúde a fim de que possamos fortalecer o sistema de defesa do corpo (os “oito remédios naturais” são ótimos para isso), sigamos os conselhos de Deus para ter uma vida santificada e oremos para que Ele nos inunde do amor com que devemos trabalhar pelos doentes deste mundo “infectado” pelo pecado.

Vem logo, Jesus!

Michelson Borges

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Sobre o autor

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Pastor, jornalista, editor da revista Vida e Saúde e editor associado da ComTexto

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