O paradoxo

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Hoje em dia muito se fala sobre paradoxo e questões paradoxais. Mas você sabe exatamente o que essa palavra significa? Segundo o dicionário, paradoxo é uma figura de linguagem que indica contradição. É uma ideia coerente e bem estruturada, mas que apresenta elementos contraditórios à sua própria estrutura. Trata-se de um raciocínio com duas ideias, em que uma se opõe à outra. 

Esse termo é tão complexo que se aplica à linguística, à matemática, à física e também à filosofia. Além disso, os paradoxos também aparecem em questões éticas do dia a dia. Algumas frases e expressões ajudam a entender melhor seu significado: “O silêncio é a melhor palavra” ou “Pobre menino rico”, e também a famosa frase do poeta Luís de Camões: “O amor é ferida que dói e não se sente.”

Particularmente, como um amante da literatura e da filosofia, gosto muito de um paradoxo que é chamado popularmente de “O Paradoxo do Avô”. É assim: uma pessoa volta no tempo e mata, no passado, aquele que seria seu avô no futuro. Mas, se o avô foi morto ainda criança, então a pessoa que cometeu o crime não poderia ter nascido. Mas se ela não tivesse nascido, quem teria cometido o crime contra o avô? 

Na Bíblia, encontramos o grande paradoxo de toda a vida: para poder viver em Cristo, precisamos morrer para nós mesmos. Ao refletir sobre esse tema, a mente muitas vezes se perde nas linhas de raciocínio. Mas vou me valer da ajuda de uma autora cristã inspirada a quem muito admiro para clarificar esse assunto. Ellen White diz: “A plenitude da alegria está em ser encontrado em submissão completa a Deus” (Minha Consagração Hoje, p. 28). 

Ao ler a Palavra de Deus, você vai se deparar com muitas situações que parecem ser paradoxais. Mas quero que se lembre de uma que, para mim, poderia ser considerada a mais importante: no livro de João, capítulo 3, verso 16, encontramos um Deus de amor que enviou Seu único filho para morrer em nosso lugar por um crime que Ele não havia cometido. Na linguagem divina, a palavra “paradoxo” foi substituída pela palavra “amor”. Deus não vê paradoxos, Ele vê oportunidades para a salvação. Assim foi, é, e sempre será. Afinal, Deus vê o fim desde o princípio. Ele não é paradoxal, Ele é Deus.

Contudo, existe um limite para Deus. Esse limite é o livre-arbítrio. Isso, sim, pode parecer paradoxal. Ele conhece o fim, sabe os melhores caminhos, mas, mesmo assim, escolhe dar aos Seus filhos o direito de escolha. O paradoxo que sobra para o ser humano resolver é o da aceitação ou negação. Este é o nosso paradoxo diário: a escolha entre Deus e o mundo. Deus quer sua salvação, o mundo quer sua destruição. A escolha é sua. Com qual lado você vai ficar?

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Sobre o autor

Matheus Köhler

Formado em Marketing e formando em Teologia

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