“Na escola da vida, a dor, o sofrimento e a perda tendem a estar presentes em todas as etapas, servindo até mesmo como fatores que nos conduzem ao amadurecimento emocional e social. As palavras atribuídas ao poeta italiano Niccolò Tommaseo ilustram essa situação: “O homem que a dor não educou será sempre uma criança.”
Além dos poetas, a temática do sofrimento atrai a atenção de outros pensadores, como filósofos e teólogos. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer enfatizou que, de tanto lidar com as dores do mundo, “o homem acabrunhado pela idade passeia cambaleando ou repousa a um canto, não sendo mais do que a sombra, o fantasma do seu ser passado” (As Dores do Mundo [Edipro, 2018], p. 39). Essa dura experiência de crescimento, com as aflições que desgastam as pessoas, alcança ateus e crentes, tornando o dia a dia um desafio constante.
O próprio Jesus, ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades (Is 53), é exemplo de Alguém que suportou as dores deste mundo e as expôs de maneira direta a Deus. Na crucificação, Ele bradou o Salmo 22: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” (v. 1). Nosso Salvador poderia ter escolhido qualquer outra parte das Escrituras, mas optou por essa, que expressava exatamente Seu sentimento de angústia. Ele não suavizou Sua conversa com o Pai, como poderia ter feito, citando, por exemplo, o Salmo 23, que fala do Pastor que conduz as ovelhas a pastos verdejantes.
Ao longo das histórias bíblicas, fica claro que a esperança não isenta a dor nem significa a negação das dificuldades cotidianas. De fato, à medida que os anos passam, constatamos que nossas condições pioram, a maldade se multiplica e o amor esfria (Mt 24:12). Esses dilemas acentuam as cicatrizes no coração humano.”
Apesar disso, Jesus conhece todas as nossas aflições e Se compadece de nossas fraquezas (Hb 4:15). Temos a companhia do Espírito Santo, que nos concede consolo e paz, mesmo em meio à perseguição (Jo 14:26, 27). Diante dessas certezas, em qualquer circunstância, não se afaste do Senhor nem permita que Satanás roube a alegria de pertencer ao Reino (Mt 13:44).
Fonte: https://revistaadventista.com.br/a-redacao/artigos/fe-e-sofrimento/