“Verdadeiramente este era o Filho de Deus.” Mateus 27:54
Ao redor da cruz havia muitas pessoas, mas nem todas enxergavam a mesma coisa. Os líderes religiosos olhavam para Jesus e zombavam: “Salvou os outros; a Si mesmo não pode salvar” (Mt 27:42). O desafio repetia, de maneira assustadora, a tentação do deserto: “Se Você é o Filho de Deus…” (Mt 4:3). No início do ministério, Satanás tentou levar Jesus a provar Sua identidade usando o poder em benefício próprio. No fim, a tentação era semelhante: “Se você é Filho de Deus, desça da cruz” (Mt 27:40).
Jesus poderia ter descido. O desafio não estava em saber se Ele tinha poder para salvar a Si mesmo, mas em decidir não usá-lo para Si. Se descesse da cruz, poderia Se salvar, mas não salvaria a nós. A aparente fraqueza de Cristo era, na verdade, a manifestação suprema de Seu amor.
Séculos antes, o Salmo 22 havia descrito impressionantemente aquela cena. “Todos os que Me veem zombam de mim” (v. 7). “Confiou no Senhor! Que Ele O livre!” (v. 8). “Repartem entre si as Minhas roupas e sobre a Minha túnica lançam sortes” (v. 18). E o salmo começa com palavras que Jesus pronunciaria na cruz: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” O Calvário não pegou Deus de surpresa. O sofrimento do Messias fazia parte do plano da redenção.
Mas diante da mesma cruz surgiram reações completamente diferentes. Os religiosos diziam: “Salve a Si mesmo.” Um criminoso arrependido suplicou: “Jesus, lembre-Se de mim quando Você vier no Seu Reino” (Lc 23:42). E um centurião romano, depois de observar tudo, confessou: “Verdadeiramente este era o Filho de Deus” (Mt 27:54).
Que contraste! Homens que conheciam as Escrituras viram um impostor; um condenado viu um Rei; um soldado pagão reconheceu o Filho de Deus.
A cruz continua provocando reações. Podemos olhar para Jesus com indiferença, incredulidade ou orgulho. Podemos exigir que Deus prove quem é atendendo às nossas expectativas. Ou podemos fazer a oração do ladrão: “Lembre-Se de mim.”