Eram três horas da manhã quando acordei assustado com o barulho do abajur sobre o criado-mudo. Eu estava em um hotel no Chile e percebi, em poucos segundos, que se tratava de um terremoto. Felizmente, era apenas um tremor leve.
No Chile, país situado sobre o encontro das placas Nazca e Sul-Americana, esses abalos são frequentes. Por isso, os edifícios são construídos com estruturas reforçadas e há sinalizações que indicam locais seguros de refúgio.
Um abrigo é um lugar de proteção em tempos de perigo. Em guerras, desastres naturais ou perseguições, esses espaços garantem segurança e esperança. Ainda bem que, no Brasil, não precisamos nos preocupar com abalos sísmicos.
Deus também providenciou abrigos para o Seu povo. Em obediência à ordem divina, Josué separou seis cidades de refúgio (Nm 35:6), onde acusados de homicídio podiam buscar proteção até que sua culpa fosse avaliada. Essas cidades uniam justiça e misericórdia: os que matavam sem intenção encontravam ali segurança e tempo para provar sua inocência.
Esse sistema mostrava o valor que Deus dá à vida e à justiça. Ele não apenas condenava o crime, mas também protegia os inocentes de julgamentos apressados. Assim, as cidades de refúgio se tornaram símbolos da sabedoria divina.
Da mesma forma, Deus oferece refúgio aos que reconhecem suas falhas e buscam arrependimento sincero. Davi encontrou em Deus abrigo contra a culpa e a condenação (Sl 51:10, 11; 2Sm 12:13). O arrependimento verdadeiro abre caminho para o perdão e a restauração.
Essas cidades apontavam para Jesus, o verdadeiro abrigo da humanidade. Assim como os refúgios estavam acessíveis a todos, com estradas aplainadas e placas sinalizadoras, Cristo convida cada pessoa a encontrar descanso Nele (Mt 11:28). Durante os “tremores” da vida, Ele continua sendo “o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações” (Sl 46:1). E você, já correu para o Refúgio?